Escrevi ontem que Evander Holyfield teria a oportunidade de mostrar que era corajoso, técnico ou louco. Aos 46 anos, mais de um ano sem lutar, achei que seria uma moleza para o russo Nikolai Valuev, de 2,13 metros e 145 kg nocautear o ex-campeão. Mas Holyfield surpreendeu. Usou a inteligência e um excelente preparo físico como estratégias para não virar mais uma vítima do russo.

Holyfield bailou o tempo todo, fugindo do raio de ação do gigante. E logo achou o mapa da mina: ganchos de direita e de esquerda. Vários dele pegaram em cheio o rosto de Valuev. Só que a falta de potência dos golpes, que sempre foi uma deficiência na carreira de Holyfield, desta vez fez muita falta. Mike Tyson, Riddick Bowe, Lenoxx Lewis, e até o nosso Maguila teriam derrubado o russo com os golpes que Holyfield acertou. Ele sequer dobrou os joelhos.
O veterano ex-campeão deu uma aula de boxe. Boxeou como se fosse um lutador amador, buscando a vitória por pontos. Estava certo disso quando terminou o 12º round. O semblante do russo também era de derrota. Mas na contagem dos jurados, um fiasco. Um deu empate, o que já era injustiça. Outro, deu vitória de Valuev por 1 ponto de diferença. E o terceiro, deu vantagem de 4 pontos para o russo. O cinturão ficou com seu dono.
Holyfield não entrou para a história como o campeão mais velho. Pelo contrário, esta luta sera lembrada como uma das maiores injustiças do boxe, um roubo discarado em favor de um campeão sem nenhum carisma. Mesmo assim, Evander Holyfield escreve seu nome como mito do esporte.
Enquanto todo mundo esperava um nocaute arrasador, em poucos minutos, ele não só evitou o adversário, como mostrou mais preparo físico que ele. Calou a boca de George Foreman, que disse que sua carreira ficaria manchada por esta volta tardia aos ringues. Fazer o que ele fez, aos 46 anos de idade, não é para qualquer um. Só para os fora de série.

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É claro que gravei a luta e preparei este compacto para os leitores do DOM. O combate foi transmitido ao vivo pela Bandsports, e passado depois na BAND. Narração de Osmar de Oliveira e comentários de Wilson Baldini e Álvaro José. Comente você também.